Uma campanha organizada por moradores e pela Associação Solidária do Bairro Norte arrecadou, em três dias, o dobro da meta inicial de roupas, calçados e alimentos não perecíveis. A entrega será feita a cinquenta famílias indicadas por agentes comunitários e por cadastro da própria associação.
Tudo começou com mensagem no grupo do condomínio: "Quem puder deixar algo na portaria até sexta." Em quarenta e oito horas, a portaria virou depósito provisório. Vizinhos do bloco ao lado se ofereceram para triagem; a associação emprestou caixas e planilha de controle.
Como funciona a triagem
Roupas passam por revisão de estado e higienização básica — lavagem quando necessário, sempre com aviso na embalagem. Alimentos precisam estar dentro do prazo e com embalagem intacta. Itens recusados: produtos abertos, roupas rasgadas sem possibilidade de conserto, calçados sem par.
A meta original era atender trinta famílias. Com o volume recebido, ampliaram para cinquenta e reservaram estoque para emergências nos próximos dois meses — casos avulsos encaminhados pelos agentes comunitários.
"Não esperávamos tanta gente. Teve quem doasse e quem pedisse para ajudar a embalar." — Marcos Vieira, coordenador da associação
Entrega e privacidade
As entregas serão feitas em horário combinado, sem divulgação de nomes ou endereços. A associação trabalha com lista fechada e sigilo — prática que mantém desde campanhas anteriores. Quem quiser indicar família em situação de vulnerabilidade pode contactar a associação pelo e-mail divulgado na sede (Rua Norte, 412).
Campanhas sazonais semelhantes estão previstas para julho (agasalhos leves) e dezembro (brinquedos usados em bom estado). Doações pontuais são aceitas o ano inteiro na sede, terças e quintas das 10h às 16h.
Quem organiza
A Associação Solidária do Bairro Norte existe há doze anos e mantém cadastro de famílias em situação de vulnerabilidade com apoio de agentes comunitários. Não divulga nomes de beneficiários e não cobra taxa de inscrição. Voluntários que ajudaram na triagem desta campanha foram moradores de três condomínios adjacentes — muitos conhecidos apenas de cumprimento no elevador até o fim de semana de trabalho conjunto.
Marcos Vieira, coordenador, reforça que doações em dinheiro não são aceitas pela associação: preferem itens físicos para garantir rastreabilidade e evitar desconfiança. Quem quiser contribuir financeiramente pode orientar-se com os agentes sobre programas municipais de assistência. A próxima campanha de agasalhos, em julho, terá ponto de coleta também na feira de domingo da praça central.