Domingo de manhã, a praça central tem cheiro de pão quente e hortaliça recém-colhida. Depois de dois anos funcionando de forma improvisada — com barracas montadas e desmontadas a cada fim de semana —, a feira de bairro ganhou estrutura fixa. Doze produtores locais ocupam agora espaços demarcados, com horário das 7h às 13h, todos os domingos.
A organização partiu de um grupo de moradores que se encontrava no café da esquina. "A gente comprava tudo no supermercado e via vizinhos plantando em casa", conta Márcia Teixeira, uma das coordenadoras. "Por que não juntar quem produz com quem consome, aqui mesmo?" A pergunta virou lista de interessados, reunião na associação de moradores e, meses depois, autorização da prefeitura para uso regular do espaço.
Do terreno ao prato
Entre as barracas, há quem vende apenas tomate e alface; quem oferece queijo artesanal; quem traz mel de apiário a três quarteirões dali. Os preços variam, mas moradores que frequentam desde o início dizem que saem gastando menos do que no mercado convencional — e conversando mais.
"Não é só compra. É encontro. Meu filho conheceu o Seu João, que planta cenoura, e agora quer ir todo domingo." — Ana Ribeiro, moradora do bairro
A prefeitura cedeu toldos e pontos de água. A limpeza fica por conta de uma escala rotativa de voluntários — cada produtor e duas famílias assinam um turno por mês. Funciona porque ninguém quer perder o espaço: já houve tentativa anterior de feira na região, há quinze anos, que acabou por falta de continuidade.
Regras simples
Para participar, o produtor precisa morar ou cultivar a no máximo dez quilômetros da praça. Não há taxa de barraca no primeiro ano; depois, uma contribuição simbólica financia lixeiras e cartazes. Proibido vender produto industrializado em embalagem — a feira é de hortifruti, grãos, pães e derivados feitos na região.
Nos primeiros domingos com estrutura fixa, a movimentação superou o esperado. Filas se formaram na barraca de ovos caipiras; a de folhas verdes esgotou em duas horas. Alguns moradores sugeriram ampliar para sábado alternado, mas as coordenadoras preferem consolidar o domingo antes de crescer.
Para quem nunca foi: chegue cedo se quiser escolher. Depois das 11h, o movimento diminui, mas ainda há produto — e sempre alguém disposto a contar como planta, colhe ou faz o pão que vende. A feira fica na Praça Central, entre as ruas das Acácias e do Limoeiro. Estacionamento limitado; muita gente vem a pé ou de bicicleta.